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Planos de saúde: brasileiro faz 7 consultas médicas por ano

A Comissão de Defesa do Consumidor discutiu nesta terça-feira (13), em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, a qualidade do atendimento aos usuários de planos de saúde. Durante a discussão, o representante da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), José Abel, informou que, em média, o brasileiro realiza sete consultas médicas por ano.
Segundo Abel, hoje são 56 milhões de usuários de planos de saúde, e as empresas não repassam todo o custo para os consumidores. “Se as companhias aéreas têm que trabalhar com risco zero, nós mais ainda! Porém, isso não é factível”, admite.
De acordo com o representante da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Eduardo Marcelo, o número de cidadãos conveniados subiu de 33,5 milhões em 2000 para 60,1 milhões em 2010, o que gerou também o crescimento do número de reclamações registradas na agência. Só no primeiro bimestre de 2011, foram 28.318 queixas.
O representante aproveitou a ocasião para afirmar que os problemas de saúde aumentaram muito nas últimas décadas por conta dos maus hábitos de vida do brasileiro. “Só para citar um exemplo, hoje temos uma epidemia de obesidade, e a cirurgia bariátrica é muito cara”, explica.
Opiniões
Para o representante da FenaSaúde (Federação Nacional da Saúde), José Cechin, não há má-fé quando os planos de saúde interferem nos procedimentos solicitados pelos médicos. “Às vezes, questionamos os especialistas se não seria melhor fazer um tipo de procedimento em detrimento de outro. Nosso objetivo é somente buscar administrar melhor os recursos, que estão lá para servir de subsídio a ser utilizado por todos os usuários", explica.
Já para o deputado Dimas Ramalho (PPS-SP), os planos de saúde prestam um serviço sem qualidade ao usuário. “Não acredito que 80% dos associados estejam satisfeitos com os planos, conforme afirmou o representante da FenaSaúde, José Cechin. Na hora de fazer uma consulta é que surgem os problemas, pois leva-se muito tempo para conseguir atendimento. Precisamos melhorar isso”, afirma, conforme publicado pela Agência Câmara.
Mocinhos ou bandidos?
Segundo o representante da Fenam (Federação Nacional dos Médicos), Cid Carvalho, a postura atual dos planos de saúde prejudica os usuários. De acordo com ele, as empresas dificultam ou impedem a realização de exames. “O contrato exige que se tenha uma pré-autorização. Então, o pedido tramita em várias instâncias da operadora e, tempos depois, vem a resposta: ‘infelizmente, não cobrimos o exame solicitado’”, protesta.
Segundo Carvalho, os planos de saúde tentam colocar os usuários em pé de guerra com os médicos. “Os planos marginalizam os médicos, tratando-os como bandidos. Nós nunca somos chamados para fazer sugestões a nenhum ramo”, declara.
Para exemplificar sua indignação, o representante usou sua experiência como neurocirurgião. “Há pouco tempo, eu precisei de 45 dias para conseguir uma autorização de um plano para fazer uma cirurgia em um paciente que tinha hérnia de disco e sofria de dores enormes. Era um caso simples, que não exigia materiais adicionais. Isso é inconcebível”, conta.