Planos de Saude Todos AquiFale com um consultor

Mais de 60% da população do abc possui plano de saude

Dos 2,3 milhões de moradores do ABC, ao menos 1,4 milhão, ou seja, 61% do total, são beneficiários de algum plano de saúde. São Caetano é o município com o maior índice (75%). As informações fizeram parte de painel do Ciclo de Palestras promovido pelo RD, que discutiu a Saúde Suplementar na região.
Segundo o diretor da Rede D’Or São Luiz, Hospital Brasil e Assunção, Luiz Antonio Della Negra, o maior desafio da rede privada atualmente é a qualidade da gestão. “Na última década, 10 hospitais foram fechados na região. A situação foi alarmante. Hoje, apesar de a Rede D’Or atuar de forma enfática no ABC, torcemos para que outros hospitais mantenham suas atividades para mantermos a qualidade”, avaliou.
“O número de clientes cresceu muito e nosso grande desafio agora é garantir atendimento de qualidade para todas essas pessoas”, avaliou Della Negra, referindo-se à demanda reprimida que se originou com a queda no número de hospitais. A situação, segundo o dirigente, quase levou hospitais já consolidados à derrocada, devido à migração de pacientes. No País, entre março de 2010 e março de 2011 o número de beneficiários de planos de saúde deu um salto de 9,5%. Porém, a quantidade de leitos cresceu apenas 3%.
Para o médico Geraldo Reple, ex-superintendente do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, não adianta criarmos uma rede de saúde organizada se tivermos os hospitais cheios de pacientes. De acordo com o especialista, é preciso ostentar o foco na promoção da saúde, de forma a prevenir a ida dos pacientes aos hospitais. “Isso só é feito com acompanhamento prévio”, destacou.
‘Não faltam médicos’
A presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) Regional Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Alice Lang Simões Santos, apresentou números que desmistificam a falta de médicos na região. “Todo ano tem um crescimento natural de 6 mil a 8 mil médicos no Brasil”, disse.
Segundo a pediatra, no entanto, a falta de valorização do profissional e problemas com planos de carreira dificultam a atuação. “Não é possível que hoje um médico ganhe R$ 30 por consulta, algo que ocorre em muitos convênios por aí. Com R$ 100 as pessoas vão ao cabeleireiro e gastam sem reclamar, mesmo que não gostem muito do trabalho. No consultório, lidamos com vida”, criticou.

Papel do Consórcio
Segundo o presidente do Conselho Municipal de Saúde de São Bernardo, Luciano Lourenço da Costa, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC precisa assumir de forma incisiva o papel da articulação regional para equacionar os gargalos da saúde. “Nós tivemos o aumento no número de beneficiários, mas por outro lado tivemos uma queda no número dos hospitais. Onde as pessoas serão atendidas?”, questionou o conselheiro. “A melhora na rede pública é evidente, mas é preciso um planejamento efetivo para evitar a sobrecarga. Isso só pode ser feito com articulação envolvendo todos os envolvidos na Saúde”, ponderou Luciano.

Estado não manda representante

Apesar dos intensos convites, o governo do Estado não enviou representantes para o Ciclo de Palestras sobre Saúde, promovido pelo RD. O secretário estadual, Giovanni Guido Cerri, chegou a confirmar presença, mas ‘por problemas de agenda não compareceu ao encontro regional’.

Participantes dos paineis levantaram pontos que apontam para a necessidade de melhorar as relações entre municípios e Estado na área da Saúde, como a decisão do Estado em transferir parte dos atendimentos do Hospital Mário Covas para os Ambulatórios Médicos de Especialidades, atitude criticada pela maioria dos prefeitos e secretários municipais.

Apesar disso, o coordenador do Grupo de Trabalho Saúde do Consórcio Intermunicipal, Arthur Chioro, minimizou a ausência de representantes do governo estadual no Ciclo. "Acho que é um momento bom pra ideias, para debate, mas acho que não tem problema [a falta de representante]. O Estado tem participado ativamente dessa discussão, as manifestações do secretário e da equipe dele sempre são no sentido de construir o Coap (Contrato Organizacional de Ação Pública) junto com o Ministério e com os municípios", disse.