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É idoso? Não queremos, dizem planos de saúde Operadoras fazem de tudo para não ficar com o cliente

As operadoras de planos de saúde estão dificultando a vida de quem tem mais de 59 anos e deseja contratar um plano pela primeira vez. Preços altos, exigências absurdas e até "enrolação" são algumas das estratégias utilizadas para fazer os clientes idosos desistirem de fechar contratos, revelam corretores de planos da Grande Vitória. Desde 2004, o reajuste dos planos por faixa etária, após os 59 anos, é proibido, o que parece ter tornado esses contratos desinteressantes para as operadoras.
Simulando o interesse na contratação de cobertura para um idoso, A GAZETA conversou com três corretores, de empresas diferentes e que comercializam todos os tipos de planos. Todos fazem questão de dizer que as principais operadoras do mercado – Unimed, São Bernardo, PHS, SM Saúde e Golden Cross são citadas – evitam esses clientes. "Eles não querem pessoas acima de 59 anos. Vou logo abrir o jogo para você", diz um deles.
Como recusar o cliente é proibido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras lançam mão de outros artifícios, como oferecer planos extremamente caros: alguns chegam a custar mais de R$ 3 mil ao mês. "Eles já botam esse preço para não vender, porque a tabela é livre", diz outro consultor.

Entrevista

Quase todos os planos também exigem a realização de uma "entrevista qualificada" antes de fechar o contrato. A entrevista é permitida pela ANS e funciona como uma consulta médica, em que a operadora confere doenças preexistentes do paciente. O tratamento dessas doenças pode não ser coberto por um determinado período, caso o cliente decida contratar o plano.

O problema, segundo os corretores, é que as operadoras abusam dessa prerrogativa e consideram como doença preexistente até mesmo um aumento de pressão, tornando o contrato desinteressante. Em outros casos, dizem que vão retornar depois da entrevista, mas "enrolam" o paciente.

Mudança

Os corretores alertam que quem tem plano está saindo para outros mais baratos, por cauda do mau atendimento. Algo que o casal de aposentados Tranquilino Pereira Vieira, 66 anos, e Maria da Conceição Silva Vieira, 66, conhece bem.

Depois de passarem anos como clientes de uma operadora que faliu, eles escolheram outra, mas tiveram que trocar de novo. "O plano antigo ligava desmarcando a consulta no dia marcado. Passamos muita raiva. A gente não tem muita opção no mercado. Tudo é muito caro. Hoje, estamos satisfeitos, mas é difícil encontrar um plano bom para a nossa idade", diz Maria.

gazetaonline