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Planos de saúde devem ficar ainda mais caros a partir do próximo ano

As novas coberturas que vão fazer parte do rol de procedimentos dos planos de saúde a partir de janeiro do ano que vem vão deixar a mensalidade do convênio médico, que já vem incorporando reajustes acima da inflação, mais pesada para o consumidor brasileiro. Cálculos do sistema Unimed, que atende 19 milhões de usuários, representando mais de um terço do setor, aponta para uma pressão de 2,28% nos custos das cooperativas e consequentemente no bolso do usuário. Em volume de recursos, a conta aponta valor de R$ 660 milhões, que serão repassados às mensalidades. O percentual estimado é mais que o dobro do último rol, cujo peso das novas coberturas, na média do setor, ficou próximo a 1%. Os cálculos foram apresentados durante a 43ª Convenção Nacional Unimed, que corre até amanhã no MinasCentro.
Entre os destaques das novas coberturas que passam a ser obrigatórias para os planos estão 36 drogas de uso oral para o tratamento de vários tipos de câncer, como de mama, próstata e pulmão, o que pode encurtar o caminho árduo do usuário até o tratamento e reduzir o número de demandas judiciais. Para se ter ideia, este ano, quando não houve novas inclusões no rol, ajustado a cada dois anos, a correção autorizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ficou em 9,04%, ou 2 pontos percentuais acima da inflação acumulada no período (de maio de 2012 a abril de 2013). Nos cálculos da Unimed-BH, que reúne mais de 1 milhão de clientes, o peso na fatura da cooperativa será de 1,5 ponto percentual. "Para essa conta só existe um pagador, o usuário que financia o sistema", aponta Helton Freitas, presidente da Unimed-BH.
Os impactos nos custos das operadoras podem variar de acordo com a estrutura de cada instituição e do que cada plano já oferece em relação às novas coberturas. Apesar da pressão dos custos, garantir a satisfação do consumidor continua como principal desafio do sistema de saúde. Mohamad Akl, diretor-presidente da Central Nacional Unimed, apontou que a satisfação do usuário já chegou a 91% e hoje está em 74%. "Temos que estar atentos aos 26% que não estão satisfeitos", aponta o executivo. Segundo ele, os usuários querem mais médicos, mais hospitais e pagar menos. Quanto ao último item, o executivo não vê perspectiva. "Os custos hospitalares crescem bem acima da inflação oficial e as pressões das novas inclusões são muito fortes".
Além do investimento na ampliação da oferta, Akl diz que a melhora da qualidade está relacionada a questões como a redução da chamada taxa de sinistralidade (gastos das operadoras) com medidas preventivas, ações que agilizem o acesso do usuário com procedimentos e on-line e à definição de preços dos planos, grande ponto de tensão, já que os brasileiros arcam com mensalidades que podem variar entre R$ 90 e R$ 2 mil, dependendo da faixa etária.