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Brasileiros têm dificuldades para contratar plano de saúde individual

Pesquisa mostra que só metade dos planos listados no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar está disponível, de fato.

Se você é um dos brasileiros que não conseguiu contratar um plano de saúde individual ou familiar, o problema não é com você. É com o mercado. Uma pesquisa mostrou que só metade desses planos listados no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar está disponível, de fato.

Lá vai a Carla, mais uma vez, atrás de um plano de saúde. No site da ANS, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, ela procura um plano individual. Há 15 dias, a Carla cancelou o antigo plano dela.

“Eu pagava novecentos e poucos reais, ia pra quase 1200 reais”, contou Carla Pereira, jornalista.

Ela só não imaginava que achar outro daria tanto trabalho. Mas na prática...

O Instituto de defesa do Consumidor analisou 169 planos individuais ou familiares com as seguintes características: cobertura completa; abrangência nacional ou estadual; oferecidos pelas dez maiores operadoras de cada estado.

E descobriu que nem todos estão disponíveis no mercado: 35% dos planos não são mais vendidos; 11% têm informações confusas, que dificultam a escolha do consumidor, ou a operadora nem atende; 4% dos planos têm abrangência diferente da informada.

A pesquisa concluiu que só metade dos planos, que a ANS lista no site, é efetivamente vendida pelas operadoras. Há bem menos opções do que a agência informa. E os planos individuais vêm perdendo a vez para os planos coletivos, aqueles que são contratados por empresas ou associações, e que não têm os reajustes regulados pela Agência Nacional de Saúde.

E os poucos planos individuais que restam são caros. A equipe do JN ligou para uma operadora que só oferece uma opção no Rio de Janeiro.

“Seria R$ 1.365,99.”, informou um atendente. 

E tem mais:

Atendente: A senhora ainda tem participação. Toda vez que utiliza, paga.
Jornal Nacional: Além de pagar mais de R$ 1,3 mil por mês eu ainda vou pagar a cada consulta que eu fizer?
Atendente: Isso. R$ 30. Por exemplo, um exame especial paga R$ 60. Uma internação, a senhora paga R$ 500.

Para o IDEC, é preciso mais controle.

“Aqueles dados que estão também no site da ANS, eles não correspondem a realidade. A ANS, verificando que o consumidor não consegue contratar um plano individual, ela tem que tomar medidas adequadas pra aumentar a oferta de planos individuais”, disse Joana Cruz, advogada do IDEC.

A busca de Carla continua. Ela precisa agora é de uma boa dose de sorte.

“Torcendo pra não passar mal”, ri Carla.

A Agência Nacional de Saúde suplementar declarou que tem estudado formas de garantir o acesso dos consumidores aos planos individuais. A ANS questionou a metodologia da pesquisa e afirmou que o número de planos disponíveis é maior do que o divulgado pelo IDEC.

A Agência também pediu que o consumidor denuncie quando não conseguir contratar um plano que está no site, porque isso é uma infração.

A Abramge, que representa parte das operadoras de planos de saúde, declarou que se preocupa com a situação, e que estuda, com a ANS, uma solução para permitir a comercialização plena dos produtos para pessoas físicas.

Fonte: g1