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quase 80% da população do abc possui plano de saude

Levantamento feito pelo Repórter Diário revela que o mercado de saúde suplementar atinge de forma desigual os municípios do ABC. Dos 2,4 milhões de moradores das sete cidades, 78% têm acesso aos planos de saúde. São Caetano lidera o ranking, com a maior quantidade de usuários: 94,16% dos moradores têm cobertura. São Bernardo é o segundo da lista: 82,45% utilizam serviços de saúde suplementar, seguido por Santo André, com 81,51% do total da população usuária de convênios médicos.
No fim da lista está Rio Grande da Serra, cidade da região com mais moradores que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde). Menos da metade da população (46,36%) possui algum tipo de plano. Em Mauá, quase 40% dos residentes depende do serviço público de saúde. Diadema e Ribeirão Pires têm abrangência semelhante: 76,91% e 76,56% da população, respectivamente, utilizam serviços de saúde suplementar.
Assim como o número de beneficiários, as reclamações também são altas. O setor lidera pelo 11º ano consecutivo o ranking de reclamação do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Para evitar problemas, especialistas alertam para a importância da pesquisa para verificar qual o melhor custo-benefício e sobre a importância da fiscalização, principalmente pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Mercado em expansão

Os números, além de desafiarem o poder público a promover melhor atendimento na saúde, como almeja o eleitor, mostram um mercado com forte crescimento. “O parque industrial do ABC é muito grande e está em expansão. Há demanda por saúde na região, o setor ainda pode crescer muito”, avalia o diretor administrativo da Ômega Saúde, Leandro Schunk.
Não é à toa que a região se tornou alvo de investimentos de grupos privados de saúde, que procuram expandir a carteira de clientes nas sete cidades. Exemplo da velocidade da medicina de grupo em abocanhar o potencial do ABC é a aquisição de hospitais que passavam por dificuldades financeiras. A compra do Hospital Neomater pela Unimed ABC em agosto foi o caso mais recente.
Há quem considere que o avanço das operadoras é em parte reflexo dos preços baixos pagos por consulta. Em artigo publicado em 2007, o ginecologista e sócio-fundador do Neomater, Jorge Brasil Leite, criticou a postura das operadoras. “Os hospitais estão ficando sucateados, sem recursos para acompanhar os avanços tecnológicos. A explicação é que os hospitais são obrigados a trabalhar com preços estabelecidos até em 1996, pelas empresas de planos de saúde”.
A conquista de novos usuários passa também pelo aumento do leque de serviços oferecidos pelos planos. “A criação de produtos é uma das formas de alcançarmos a parcela da população que não tem acesso à saúde suplementar. O plano de saúde precisa se adequar à realidade de cada município”, afirma Rosângela Orlandi, gerente de Marketing da Unimed ABC.
Para o presidente da Associação dos Corretores de Planos de Saúde e Odontológicos do Estado de São Paulo, Ariovaldo Bracco, a tendência de operadoras terem rede própria de atendimento é irreversível. “Investir na construção de uma rede própria significa a busca pela otimização de custos”, avalia.
Entre as dezenas de planos de saúde que atuam na região metropolitana, operadoras como Golden Life, Medical Health, Nacional Saúde, Ômega Saúde, Greenline e Unihosp atuam fortemente na região, além de Unimed ABC e Santa Helena, que dividem a liderança no mercado regional, com uma carteira de cerca de 180 mil clientes cada uma.

Crescimento da rede é nacional

De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde), 46,6 milhões de brasileiros possuem planos de saúde. Do total, 15,6 milhões são clientes de planos exclusivamente odontológicos. A maior fatia dos usuários possui planos coletivos empresariais.
O setor registrou crescimento expressivo no País na última década. Em oito anos, 31 milhões de pessoas se tornaram usuários, um crescimento de mais de 46% na comparação de julho deste ano com 2003. Com a expansão, 24,4% dos brasileiros passaram a ter acesso à saúde suplementar. São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo são os únicos Estados onde mais de 30% da população possui plano de saúde.
Mais rápido que o aumento da carteira de clientes é o ritmo de crescimento do faturamento das empresas. Em 2003, o setor lucrou R$ 500,3 milhões em todo o território nacional. Em 2010 a cifra saltou para R$ 1,3 bilhão.
Reajuste e negativa de cobertura lideram queixas
Dados do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) apontam que o setor de planos de saúde está pelo 11º ano consecutivo no topo do ranking de reclamações feitas pelos consumidores. Negativa de cobertura e questionamentos sobre reajuste abusivo de mensalidade encabeçam as queixas.
Para o Instituto, o alto índice de reclamações do setor (14,53% das queixas em 2010) se deve ao aumento do número de beneficiários. “Nos últimos 10 anos houve um aumento muito grande de beneficiários nos planos de saúde, mas as operadoras não acompanharam o crescimento e, desta forma, não conseguem se adequar à demanda”, afirma a advogada do IDEC, Juliana Ferreira.
“Quando falamos em negativa de cobertura tratamos da não autorização da realização de algum exame ou cirurgia, da inexistência de profissionais para o procedimento ou até mesmo da falta de lugar para a realização de exames dentro da área de cobertura do plano”, explica o diretor do Procon de São Caetano, Alexandro Guirão.
Nestes casos é indicado que o usuário entre em contato com a operadora para tentar resolver o problema. “A orientação é que o beneficiário escreva uma carta com sua reclamação e a envie para a operadora. É importante ter uma prova que isso foi feito, como protocolo de entrega. Se isso não resolver, ele deve procurar um órgão de defesa do consumidor, que tentará intermediar uma solução. Caso não seja possível, damos subsídios para que ele busque seus direitos na Justiça”, esclarece a advogada do IDEC.

Idosos

“As principais reclamações com relação aos reajustes envolvem os idosos”, destaca Guirão. Isso ocorre porque o Estatuto do Idoso prevê que não haja reajustes referentes à faixa etária para pessoas com mais de 60 anos. Porém, nem todas operadoras cumprem a determinação.

“Algumas empresas entendem que, como o Estatuto do Idoso só passou a valer a partir de 2004, os contratos assinados antes desta data não precisam cumprir tal norma. O Procon entende que, independentemente de quando o contrato foi assinado, o reajuste para pessoas com mais de 60 anos não pode ser feito levando em consideração a faixa etária do beneficiário, apenas reajuste anual”, completa.
Pesquisa garante melhor escolha
Ter um plano de saúde com bom custo-benefício virou sinônimo de status e qualidade de vida. Antes de escolher a cobertura individual ou familiar, é importante observar não somente preços, mas os serviços disponíveis. De acordo com o presidente da Aussesp (Associação dos Usuários de Planos de Saúde do Estado de São Paulo), Flávio de Ávila, atualmente os valores cobrados são, na maior parte das vezes, injustificados, pois mesmo pagando caro o usuário enfrenta problemas como demora na marcação de consultas e atendimento superficial.
“Os usuários são tratados como reféns, estão nas mãos das operadoras que arrecadaram quase R$ 15 bilhões em 2010 e ainda reclamam”, afirma Ávila. No ABC, planos de cobertura máxima para pessoas acima de 59 anos podem registrar diferença de até duas vezes o preço do contrato mais barato. Na Greenline, o plano individual Excellence, que dá direito a quarto particular com dois ou mais leitos e rede credenciada ampla, custa aproximadamente R$ 810. Já na Unimed o custo da cobertura completa para o idoso custa, em média, R$ 2 mil.
Na cobertura denominada essencial, para faixa de zero a 18 anos, que dá direito apenas aos serviços básicos, a média é de R$ 60 em planos, como Medial Saúde, Greenline, Unimed, Intermédica e Samcil. Além do preço e do serviço oferecido, é importante observar a rede credenciada. Dentre as que prestam serviço na região, a Greenline possui atualmente sete hospitais credenciados, a Unimed 15, Ômega Saúde 13 e a Medial Saúde 21.
Dados da Pesquisa Saúde Privada 2010, com 5,4 mil usuários pela CVA Solutions, demonstram que os brasileiros avaliam o setor de planos de saúde como o de pior custo-benefício. O setor ficou abaixo de setores como serviços de assistência técnica, cartões de crédito e operadoras de telefonia celular, com nota geral de 6,19.
ANS não controla, dizem médicos
Segundo a Constituição Federal, a saúde privada é complementar à saúde Publica, portanto o desafio é fornecer serviço de qualidade a custo aceitável para a população. O cenário, citado pelo médico João Eduardo Charles, vice-presidente da Associação Paulista de Medicina de São Bernardo e Diadema, não se traduz na prática.
Segundo o especialista, o crescimento registrado nos últimos anos na rede privada não foi acompanhado pela qualidade na prestação do serviço. “Vide a questão da baixa remuneração médica que tem gerado protestos em todo o País e a restrição aos atendimentos dos pacientes, fato esse recorrente entre as reclamações de usuários”, lembra.
Na visão de Charles, a saída para reverter o quadro é aprimorar o sistema de fiscalização. “É preciso melhorar os sistemas de controles e fiscalização das empresas de saúde no sentido de que se ofereça serviço de qualidade associado a rede credenciada de médicos e hospitais adequados. Para isso é essencial que a remuneração médica seja feita de forma justa e adequada”, diz.
No tocante a fiscalização, a responsabilidade recai sobre a ANS. “Mas a Agência Nacional de Saúde tem se mostrado insuficiente frente a essa questão”, critica João Eduardo Charles. Outro fator apontado pelo especialista como calcanhar de Aquiles do atendimento de saúde na rede privada é a melhoria, mesmo tímida, do sistema público. “Nota-se também um crescimento nos leitos próprios das medicinas de grupo o que inviabiliza os hospitais privados. Com a diminuição dos leitos privados, o sistema público tem investido nesse setor como os novos hospitais e UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) em São Bernardo, Santo André e Diadema”, afirma.
Porém, João Eduardo Charles já vislumbra problema para a manutenção desses novos equipamentos públicos. Ele projeta uma espécie de "efeito bolha" para o poder públivo no momento de manter os equipamentos que foram criados ou que estão em fase de construção. “Creio que o problema não será a falta de leitos, mas o financiamento desses leitos públicos que estão sendo criados. O caro na saúde não é construir leitos e hospitais, mas mantê-los”, sustenta. Segundo a Lei de Responsabilidde Fiscal cada Município deve investir, no mínimo, 15% do orçamento no setor.
Fonte - reporter diario